O mercado ilegal de Arla  

Com a visão equivocada de que vão reduzir custos, alguns empresários estão utilizando Arla falsificado ou não usando o produto, o que, além de poluir mais, causa sérios danos ao motor do veículo e, consequen-temente, a perda da garantia

12/09/2014 - 18:52min

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Com a visão equivocada de que vão reduzir custos, alguns empresários estão utilizando Arla falsificado ou não usando o produto, o que, além de poluir mais, causa sérios danos ao motor do veículo e, consequen-temente, a perda da garantia

A entrada em vigor da fase 7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), em janeiro de 2012, estabeleceu uma nova etapa de redução das emissões de veículos a diesel, exigindo novos motores, novo diesel e novas rotinas de manutenção e operação por parte dos transportadores.

Com o Proconve, a maioria dos veículos pesados fabricada no Brasil, como caminhões e ônibus, passou a contar com a tecnologia SCR (Redução Catalítica Seletiva). Para esses motores, o uso do Arla 32 é obrigatório, assim como o do Diesel S-10, gerando uma série de vantagens para o meio ambiente e para os caminhões.

Na verdade, o Arla 32 é um reagente usado para reduzir quimicamente as emissões de óxidos de nitrogênio presentes nos gases de escape dos veículos a diesel. Após a queima, o Arla transforma esses gases em Nitrogênio puro e vapor de água. Com o uso da solução foi possível desenvolver motores mais limpos e mais eficientes, que consomem menos combustível e têm menor necessidade de manutenção.

O Arla é composto por ureia de alta qualidade e pureza e água desmineralizada, sendo transparente, não tóxico e de manuseio seguro. Também não é explosivo, nem inflamável nem danoso ao meio ambiente.

Acontece que o mercado ainda está se adaptando à nova legislação, o que é comum pelo fato de envolver toda uma cadeia. Porém, no caso do Arla 32, problemas de falsificação, adulteração e até o não uso do produto têm sido relatados no setor, causando preocupação e, o pior, sérios prejuízos para o bolso de quem decide não seguir a lei.

Na verdade, a polêmica envolvendo o Arla começou a partir da visão de alguns empresários, que acreditam que a obrigatoriedade do uso é um investimento a mais, aumentando o custo das transportadoras.

Para diminuir esses custos, utilizam soluções mais baratas, porém, sem procedência e sem registro do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

“É uma visão equivocada, pois o uso do Arla, juntamente com o sistema SCR, comprovadamente, traz uma significativa a redução no consumo de combustível e, consequentemente, das emissões de gases. Na verdade, o uso do Arla gera mais economia e maior autonomia para o catalisador, além da manutenção da potência e redução das emissões de poluentes. Em princípio, pode parecer uma despesa a mais, porém, no médio e longo prazos, os benefícios serão muito maiores. Existem casos de transportadores que já conseguiram economizar entre 5% a 9% de combustível com a nova tecnologia. Portanto, usar Arla falsificado ou não usar o produto, não é uma decisão inteligente”, explica Hideraldo José Batista, gerente técnico comercial da Peak.

Ele explicou que a produção do Arla é regulamentada pelo Inmetro. Para fabricar o produto, a empresa precisa ser certificada pelo órgão, cujo processo de avaliação envolve uma criteriosa análise da planta e da substância produzida.

“Para certificação, o Inmetro recolhe amostras, que são analisadas em laboratórios credenciados pelo órgão. Se tudo estiver conforme as especificações exigidas para a produção e comercialização do Arla, o órgão emite o certificado e um registro, que o fabricante deverá fixar no rótulo da embalagem.

Atualmente, existem pouco mais de 30 empresas com registro para fabricar o Arla no Brasil. Entretanto, segundo Hideraldo, o número de fabricantes em operação no mercado é muito maior.

“No Arla falsificado são utilizadas ureia agrícola, que não é a adequada para a produção da solução, e água mineral, que está repleta de componentes químicos que interferem no estado de pureza e podem prejudicar o funcionamento do sistema catalisador, e até mesmo a durabilidade do veículo”, revela Augusto Krauss, gerente comercial nacional da ArlaMax, do Grupo BRQuim.

Vale lembrar que a única fonte de ureia para produção do Arla no Brasil é a Petrobras. Qualquer ureia de outra procedência pode afetar a composição do produto.

Burlando o sistema

Além da falsificação, outra prática ilegal que se tem observado no mercado é a comercialização de sistemas capazes de burlar o computador de bordo do caminhão, responsável pelos diagnósticos de operação,que aponta quando há falta de Arla. Com esse sistema, o computador de bordo entende que existe Arla no compartimento, quando, na verdade, não há produto. Essa atitude, além de poluir muito mais o ambiente, prejudica o desempenho do caminhão.

A razão da não utilização do Arla é simples. Obrigatoriamente a emissão do óxido de nitrogênio é medido no caminhão e, se não estiver dentro dos limites, o veículo pode perder potência para, justamente, forçar a correção do problema. Assim, alguns motoristas e transportadores buscam uma forma de enganar a tecnologia e não permitir perda de desempenho, mesmo sem injetar o Arla 32.

“O Arla age após a combustão do diesel, neutralizando os gases poluentes. Assim, quando o motorista não utiliza o produto, o motor polui em níveis iguais aos de motores de duas gerações anteriores. Além disso, o uso do Arla auxilia no desempenho do caminhão à medida que ajuda a queimar melhor o diesel S-10. Essa queima é traduzida em melhor potência para o motor”, explica Hideraldo, da Peak.

Na verdade, em relação à instalação de botões, chaves, sensores, software ou qualquer outro dispositivo que possa “enganar” o sistema de controle de emissões para a não utilização do Arla 32, o empresário precisa saber que essa atitude configura crime, tanto para quem vende o sistema quanto para o proprietário do veículo, passível de multa que pode chegar a R$ 50 milhões.

“A instalação de qualquer sistema no veículo que não for aprovada pelo Inmetro e poluir o meio ambiente pode se caracterizar crime inafiançável, segundo artigo 3º da Lei 8.723 do Ibama”, reforça Augusto, da ArlaMax.

Além do impacto no meio ambiente, a utilização do Arla falsificado causa sérios prejuízos aos veículos. O principal deles é a cristalização do catalisador, o que ocorre em alguns meses após o uso do produto pirateado.

“Por não ser uma solução pura, já que não é produzida com ureia e água adequadas, as impurezas vão se acumulando no catalisador, que se cristaliza. Hoje, a troca de um catalisador pode chegar a R$ 25 mil ou mais. Já soubemos de casos de empresas que usaram Arla falsificado e que tiveram gastos de manutenção da ordem de R$ 60 mil. Portanto, o prejuízo no futuro não compensa a economia obtida com a utilização de um produto sem procedência. E além do mais, o consumo do Arla corresponde de 3% a 5% do consumo do diesel. Ou seja, o empresário terá de usar muito menos Arla do que diesel. Portanto, um custo pequeno, se pensarmos que o SCR traz economia de combustível e garantirá melhor desempenho do caminhão”, analisa Augusto.

Para o gerente, diante dos danos causados aos veículos, é uma questão de tempo para que os empresários percebam que utilizar Arla falsificado não é vantajoso. “Obviamente, a nova legislação entrou em um momento em que os empresários têm de se adaptar a diversas outras variantes, que impactam os custos, como a lei dos motoristas, aumento do frete e a entrada do Proconve. Entretanto, no longo prazo, a mudança gerará ganhos, especialmente, em relação ao consumo de combustíveis”, lembra Augusto.Hideraldo, da Peak, também acredita que o mercado irá se adequar a essa nova realidade. “É preciso levar informações para os empresários a respeito desse assunto, esclarecendo-os e conscientizando-os em relação aos danos que o uso do Arla falsificado, ou a não utilização da solução, podem trazer”, reforça o executivo.

Perda da garantia

Mas o pior dos mundos não é somente a dispendiosa substituição do catalisador, mas a perda da garantia do veículo. É que com a nova tecnologia, as montadoras conseguem identificar se houve a utilização do produto falsificado, prejudicando assim o sistema, ou se o empresário não utilizou o Arla, e podem cancelar a garantia

“A perda de garantia do veículo fará com que os motoristas e transportadores revejam esse comportamento e percebam que não vale a pena utilizar produto falsificado ou não utilizar a solução”, acrescenta Hideraldo.

Mas se existem motoristas e transportadores que utilizam produtos mais baratos e de precedência duvidosa, também existem motoristas que compram o Arla, ou abastecem seus veículos em postos de combustíveis, muitas vezes, sem saber que estão colocando produtos falsificados. Nesse aspecto, é importante ficar atento ao comprar o Arla no mercado ou ao abastecimento nos postos.

Confira algumas orientações

Compre Arla que tenha em sua embalagem o selo de qualidade do Inmtero. Essa é uma garantia que você está

adquirindo um produto certificado e fabricado dentro das especificações exigidas por lei;

Em caso de dúvida, no site do Inmetro você encontrará o nome das empresas certificadas e autorizadas a produzir a solução;

O Inmetro é o responsável pelo controle da qualidade do Arla em toda a cadeia (produção, importação, distribuição e revenda);

No posto, procure visualizar na bomba se há o número do registro ou selo do Inmetro. O produto feito com ureia agrícola ou água mineral possui a mesma cor e odor do produto legal. Portanto, é importante ficar de olho na bomba. Quando tiver dúvida, questione o dono do posto, que precisa garantir a qualidade do produto que vende;

Jamais, em hipótese alguma, utilize Arla sem procedência ou produza de forma caseira o produto. Isso pode acarretar prejuízo ao veículo, que, no final, custará muito mais caro;

O Arla não deve ser misturado com o óleo diesel. Seu abastecimento deve ocorrer em tanque exclusivo, separado do tanque de óleo diesel;

O produto está disponível em postos de revenda de combustíveis, bem como nas concessionárias de veículos pesados, além de outros estabelecimentos interessados em comercializá-lo;

O seu consumo corresponde de 3% a 5% do consumo de óleo diesel.

Fonte: www.caminhoes-e-carretas.com

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