Venda de caminhões ganha impulso

A procura foi tão grande que concessionários desses veículos afirmam que faltam modelos e há fila de espera que pode chegar a 100 dias.

03/10/2012 - 11:06min

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As vendas de caminhões, que vinham em marcha lenta ao longo do ano, deram forte acelerada nos últimos dias, logo após publicação de portaria do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) que regulamentou a nova linha de crédito PSI-Finame com juros de 2,5% ao ano – que vale só até 31 de dezembro. Embora o governo tenha anunciado as condições vantajosas desse financiamento especial no fim de agosto, só a partir da semana passada, com a operacionalização da medida, os pedidos de compra financiada se intensificaram.

A procura foi tão grande que concessionários desses veículos afirmam que faltam modelos e há fila de espera que pode chegar a 100 dias. Isso ocorre, segundo os lojistas, porque as fábricas tinham se ajustado para produzirem menos (reduzindo a jornada e suspendendo temporariamente contratos de trabalho), por causa da fraca demanda até então. De janeiro a agosto, a retração na fabricação de caminhões foi de 40% frente a igual período de 2011 e a comercialização (com base no número de emplacamentos) diminuiu 20% pela mesma comparação, segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Agora, com a condição atrativa, empresas de transportes veem mais motivos para renovar suas frotas. O vice-presidente do Setrans (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Grande ABC), Tiujium Metolina, assinala que, como o custo do crédito ficou menor – antes a linha do PSI-Finame tinha juros de 5,5% ao ano -, as companhias do setor passaram a calcular se irão às compras. Ele mesmo, que tem empresa de médio porte, com 150 veículos, já planeja comprar mais 20 até o fim do ano, para aproveitar o benefício.

Com isso, as expectativas dos concessionários melhoraram. Teodoro da Silva, diretor da Iveco Vetelli, prevê que, em outubro, as vendas de sua rede devem crescer mais de 50% frente aos números de setembro. “Se as montadoras não tivessem reduzido a produção, venderíamos mais.” O gerente comercial da MAN Apta em São Bernardo, Antonio Pascual Parames, também observa o forte movimento. “Nos últimos três dias (na semana passada) vendemos 20 veículos por dia”, diz, acrescentando que, antes, era difícil chegar aos dez por dia. Ele assinala que há modelos em falta.

O gerente da Volvo Service Luis Gambin assinala, por sua vez, que os bancos estão com volume muito grande de pedidos. “Os feitos atualmente são para dezembro.” O transportador que quer renovar a frota já tem de correr. Isso porque, para se beneficiar dos juros de 2,5%, é preciso ter a PAC (Proposta de Abertura de Crédito) aprovada até dezembro – embora, depois, o caminhão possa ser faturado até 31 de março.

Além da linha de crédito favorável, há outros fatores que ajudam, salienta o presidente executivo da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Alarico Assumpção Júnior. “Historicamente, o segundo semestre é melhor”, afirma. Mas ele cita, que apesar do impulso, os licenciamentos ainda devem registrar queda de 19% em 2012 frente a 2011.

Redução de IR para autônomos deve estimular formalidade

Medida tributária adotada recentemente pelo governo federal também deve ajudar a elevar as vendas de caminhões. Trata-se da mudança na cobrança do IR (Imposto de Renda) do caminhoneiro autônomo, que antes incidia sobre 40% do faturamento e, a partir de 2013, passa a ser sobre 10%.

Segundo o presidente do Sindicam-SP (Sindicato dos Caminhoneiros Autonômos de São Paulo), Norival de Almeida Silva, essa era uma reivindicação da categoria, que foi agora atendida pelo governo e que possibilitará que mais transportadores entrem na formalidade. Com isso, eles terão melhores condições de acessar crédito do sistema financeiro para trocar seu veículo velho por um novo. “Hoje ainda têm muita gente na informalidade”, cita.

Esse é um segmento importante. De toda a frota que faz o transporte rodoviário, os autônomos representam de 62% a 67%, estima o dirigente.

Fonte: www.dgabc.com.br

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