Proprietários de Toyota Corolla e Corolla Cross têm compartilhado um desafio recorrente: dificuldades na partida do motor ou falhas durante o funcionamento, comumente conhecidas como “engasgos”. Relatos indicam que esses problemas surgem quando os veículos são abastecidos com etanol, levando alguns condutores de carros flex a optarem exclusivamente pela gasolina.
As queixas, evidentes em redes sociais, grupos de proprietários de Corolla, e no Reclame Aqui, um site dedicado a reclamações de consumidores, seguem um padrão similar. Os motoristas percebem a anomalia, dirigem-se à concessionária, onde a equipe de assistência pós-venda costuma sugerir duas soluções: a limpeza dos bicos injetores de combustível, com custo médio de R$ 1 mil, ou a substituição integral, serviço que pode alcançar R$ 10 mil. A justificativa recorrente aponta para o uso de combustível de qualidade inferior.
Um dos proprietários relata: “Adquiri um Corolla 2023 com 9.600 km, praticamente novo, mas após a primeira revisão, surgiram muitos problemas. O carro passou a ter dificuldades na partida – às vezes demorava e emitia um cheiro forte de combustível, além de oscilar quando parado no semáforo. Para minha surpresa, a concessionária diagnosticou o problema como sendo nos bicos injetores, alegando que não havia garantia, pois o mau combustível usado foi a causa do defeito.”
O problema tornou-se tão difundido que, em meados de 2022, a Toyota emitiu um comunicado a todas as suas concessionárias informando sobre os esforços contínuos para aprimorar os motores 2.0 com injeção direta, presentes nos Corolla desde 2020, visando uma melhor adequação ao mercado brasileiro. O comunicado destacava a disponibilidade de novas peças para reparos a partir de setembro de 2021 e sua implementação na linha de produção do Corolla e Corolla Cross a partir de janeiro de 2022.
André De Maria, engenheiro mecânico e proprietário da AutoCentro Confiar, ressalta que, ao lidar com problemas nos bicos e em outros componentes da injeção, é prudente questionar a qualidade do combustível.
“Os bicos têm baixa resistência mecânica, foram projetados para um comportamento específico, mas na prática, não suportam o combustível como deveriam. Não é que o combustível seja inadequado, mas sim que o bico não possui resistência física e mecânica adequadas para o álcool”, explica.
Ele destaca ainda que o problema é mais prevalente com o etanol do que com a gasolina.
“Somente dois ou três tanques de etanol são suficientes para danificar o sistema”, alerta, destacando que muitos veículos começam a apresentar falhas poucos dias após saírem da concessionária, devido ao uso de etanol. Este tipo de situação pode gerar um desconforto considerável para os proprietários, requerendo gastos inesperados e até mesmo comprometendo a segurança durante a condução dos veículos.










