Mercado interno é a aposta das montadoras 

As projeções da Anfavea (Associação das Montadoras com Fábrica no País) para o próximo ano indicam que a indústria automotiva nacional deve conquistar mais mercado interno após a elevação do IPI.

12/12/2011 - 13:29min

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As projeções da Anfavea (Associação das Montadoras com Fábrica no País) para o próximo ano indicam que a indústria automotiva nacional deve conquistar mais mercado interno após a elevação do IPI. O aumento de 30 pontos percentuais na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados para veículos com menos de 65% de conteúdo local começa a valer no próximo dia 16. A entidade prevê um aumento de 2,0% na produção de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões em 2012 no confronto com este ano, enquanto as exportações devem recuar 5,5% no mesmo comparativo. Para as vendas, a estimativa é de um aumento entre 4,0% e 5,0%. “As medidas (tomadas pelo governo federal) devem dar mais espaço para o produto nacional”, afirmou Cledorvino Belini, presidente da entidade, que não quis estimar o desempenho dos importados que são trazidos por marcas que não têm fábrica no Brasil, alvos da medida.

Salvação

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Ayrton Fontes, especializado no segmento de varejo de veículos, reforça que, devido ao câmbio, “o mercado interno é a salvação” para compensar a queda nas exportações. O consultor afirma, no entanto, que o crescimento de 4,8% no acumulado do ano nos emplacamentos e de 14,6% em novembro ante outubro está sendo puxado pelas vendas para frotistas, e não para o consumidor final.

Para 2011, a associação reviu o crescimento de 5,0% nos licenciamentos ante 2010 para 3,3%, o que indica o emplacamento de 60 mil unidades a menos, considerando a projeção anterior. “Num volume superior a 3 milhões, com tantos fabricantes, não muda nada. Superamos a barreira dos 3,6 milhões, (patamar) recorde.” Para a produção, a previsão foi mantida em um crescimento de 1,1%. O dado no acumulado do ano até novembro, divulgado ontem, mostra uma variação inferior a essa, de 0,9%.

Os estoques atingiram 373,6 mil unidades, com redução de 40 dias, em outubro, para 35, levando em conta o ritmo de vendas atual. Apesar do nível elevado, o número é “normal” para Belini e justificado pela grande quantidade de modelos e marcas disponíveis. Como em outros anos, várias montadoras vão dar folgas coletivas neste mês e no próximo para os funcionários. “Janeiro é um mês historicamente mais fraco”, lembra o presidente da Anfavea.

Taxa de inadimplência sobe para 4,7% – A taxa de inadimplência chegou a 4,7% do total de empréstimos para a compra de veículos novos e usados em outubro, dado mais recente divulgado, considerando atrasos acima de 90 dias. O número, que engloba apenas os financiamentos para pessoas físicas, ficou acima do contabilizado no mês anterior (4,4%) e se iguala ao registrado em outubro de 2009, quando o Brasil ainda sentia os efeitos da crise de 2008. Décio Carbonari de Almeida, presidente da Anef (associação dos bancos das montadoras), destaca que “a trajetória de crescimento é preocupante”. Em janeiro, a taxa havia recuado para 2,6%. O executivo aponta a inflação como o principal motivo para a elevação, reduzindo a capacidade de pagamento dos consumidores. A perspectiva, afirma, é de diminuição do índice devido ao dinheiro extra do 13º salário. Para o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, “a inadimplência sempre preocupa, mas acreditamos que seja um período passageiro”, destacando que o dado continua abaixo do nível para todos os bens (7,1%).

Fonte: http://www.folha.uol.com.br em 08/11/2012

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