O peso do povo: nova Hilux encara S10

Juntas, elas vendem mais da metade do segmento. Mas agora que a Toyota tem nova geração, qual é a melhor?

10/02/2016 - 12:47min

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Civic e Corolla, Classe C e Série 3, Gol e Palio, Strada e Saveiro, M3 e C63 AMG… Alguns segmentos são tão definidos pelos carros que os compõem, que ignoram qualquer tipo de definição que nós tentamos dar. Não importa se um não é renovado há anos ou se eles cresceram 30 cm em uma década. As pessoas primeiro procuram as referências para depois verem se a concorrência tem algo melhor para oferecer. No caso das picapes médias, o pessoal não olha nem para o resto. Chevrolet S10 e Toyota Hilux fazem do segmento um duopólio desde o início dos tempos: em 2015, por exemplo, elas somaram exatos 55,08% do mercado.

O que você vê abaixo, portanto, é um comparativo natural, óbvio. Conforme a Hilux passa por sua maior renovação em 10 anos e ganha nova geração, finalmente trazendo algum requinte, a S10 se consolida na liderança desde que foi modernizada em 2012. Em 2016, ela receberá um facelift. Aqui, contudo, a briga não é para ver quem seduz mais e sim para descobrir qual é a melhor picape entre as queridinhas do mercado.

2º TOYOTA HILUX SRX

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É tradição: japonês nunca deu muita importância para refinamento, principalmente na cabine. O ápice desse descaso na Toyota é o Etios, um carro que tem lá suas qualidades, mas apresenta um interior tão descuidado que nos faz esquecer o resto. A Hilux juntava o interior sem graça a um rodar extremamente bruto, tendência típica de picapes antigas, feitas exclusivamente para o trabalho. A estratégia da Toyota foi clara: com uma ótima base de fãs fiéis, era necessário atacar os pontos mais críticos e partir para o abraço. Porém (e há sempre um porém), a teoria é mais simples que a prática.

A Toyota começou bem: a picape continua montada sobre chassi (o oposto do monobloco e mais indicado para aguentar os maus tratos), mas teve a arquitetura atualizada para aprimorar o conforto. As suspensões mantêm os braços duplos triangulares na frente e o eixo rígido na traseira, mas as molas longitudinais foram aumentadas, posicionadas mais atrás e as barras estabilizadoras ficaram mais espessas.

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Se você não entendeu bulhufas do último parágrafo, saiba que o resultado de toda essa reengenharia é marcante. A Hilux realmente melhorou demais o seu rodar em todos os terrenos. É bem verdade que ainda não chega ao nível da Amarok que, de tão suave, parece até que a Volkswagen trapaceou no seu desenvolvimento. Porém, a evolução é notável para uma picape que maltratava os seus ocupantes.

LEEEEEEEEENTO

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Olhando de longe, o interior também é promissor. Há bom gosto na combinação de cromado, plástico prateado e black piano. A central multimídia pode parecer meio sobrando no painel, como se fosse um tablet, mas passa sensação de requinte. E há um botão Power ao lado da transmissão! Quem não gosta de um botão Power?!?

As boas impressões, no entanto, passam rápido. O acabamento não é de chorar, mas a tentativa de imitar uma costura de couro no meio de um painel de plástico é vergonhosa. E aí vem a multimídia. Até tem gráficos bonitos e funcionamento intuitivo. O problema é que as respostas do sistema são boçalmente lentas. Em um nível que transforma a tentativa de trocar de estação de rádio ou até aumentar o volume em algo desesperador. É sério.

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O mesmo acontece ao acelerar. O 2.8 turbodiesel é moderno, mais leve e forte. Com 177 cv e 45,9 mkgf, tem 6 cv e 9,2 mkgf a mais que o 3.0 da geração passada. A transmissão mudou e tem seis marchas, contra as cinco de antes. E com basicamente o mesmo peso, era de se esperar que a Hilux fosse bem mais veloz que a antiga. Mais uma vez, nos decepcionamos em parte. Ela demora 0,1 segundo a mais para atingir os 60 km/h e significativos 0,7 s para chegar nos 100 km/h.
Ao menos, a maior agilidade da transmissão e o torque elevado compensaram nas retomadas, todas mais rápidas que antes. O ruído também melhorou em ponto morto, mas piorou a 60 km/h. Assim fica difícil: se não consegue superar categoricamente a antecessora, como a Hilux pretende vencer as rivais?

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1º CHEVROLET S10

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Justin Bieber quebrou no final de novembro um recorde de 51 anos dos Beatles com o maior número de músicas na lista das 100 mais da Billboard. O que prova que o povo nem sempre faz as melhores escolhas. Nesse comparativo, no entanto, ir com a multidão é boa coisa. Esta segunda geração da S10 foi lançada em 2012 e, desde então, é líder entre as picapes médias.

Neste ano, a Chevrolet introduziu uma nova versão topo de linha, com apelo no luxo, para se antecipar à chegada de novas concorrentes no segmento – além da Hilux, vêm por aí as Mitsubishi L200, Nissan Frontier, Fiat Toro e Ford Ranger. É essa, a High Country, que avaliamos aqui.

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O foco dela é dar uma requintada na S10, com bancos de couro marrom, uma cacetada de cromados do lado de fora e um santantônio bem legal na caçamba. Isso, contudo, não muda a experiência com ela. É indesculpável, por exemplo, um carro de R$ 160 mil não ter ajuste de profundidade no volante.

O rodar também não é tão refinado quanto o da Hilux. Em todo o momento a S10 te lembra que é uma picape de porte, grande o suficiente para fazer estrago. Passe por um buraco e você vai lembrar dele nos próximos metros: além de transmitir a pancada, a picape da Chevrolet quica uma ou duas vezes antes de voltar ao chão. Nós não gostamos disso (e a S10 foi penalizada nas notas), mas é o que os picapeiros curtem.

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LÍDER

A S10 ganha o comparativo por saber de seus limites. O acabamento é bom, sem exageros ou tentativa de criar ilusões. O mesmo vale para a central multimídia: não é tão bonita quanto a da Toyota, mas, olha só, funciona!

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E, além de tudo, a Chevrolet foi bem mais eficiente na pista de testes. Os 200 cv e 51 mkgf do 2.8 turbodiesel fazem da S10 a picape com melhor aceleração do mercado. É a que freia melhor nesse comparativo. Merecia um pouco mais de capricho no isolamento acústico, é verdade, mas não chega a ser catastrófico. Sem falar que no ano que vem ela vai receber um pequeno facelift que deve corrigir algumas dessas falhas. A tendência é manter a liderança. Com méritos.

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