Temperatura Certificada 

Proceso de certificação do líquido de arrefecimento do motor de um veículo

03/12/2012 - 16:25min

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Quem já presenciou a típica situação de fumaça saindo do capô de um carro, não imagina o quanto – antes do motor aquecer excessivamente – o sistema de refrigeração trabalhou duro a fim de manter a temperatura ideal. Composto por bomba, radiador, válvula termostática, sistema de ventilação, mangueiras, sensor de temperatura, tanque de expansão e termo-interruptor, o conjunto necessita de um fluido específico para funcionar corretamente: o aditivo de arrefecimento.

Em teoria, a finalidade do aditivo, segundo Joel Lopes, químico de Pesquisa e Desenvolvimento da Tirreno, é aumentar o ponto de fervura e baixar o ponto de congelamento da solução arrefecedora, evitar a corrosão das partes metálicas e a corrosão por cavitação na bomba d’água, além de prolongar a vida útil de mangueiras e elastômeros. Por isso, é essencial adquirir aditivos de qualidade para garantir o bom funcionamento do sistema.

Apesar de não ser compulsória, a certificação do IQA é a maneira mais confiável de se comprovar a qualidade de um aditivo de arrefecimento, já que o produto para cumprir o seu papel com eficiência deve conter especificações adequadas, atestadas por uma série de ensaios laboratoriais, como vamos demonstrar nesta matéria, realizada com a ajuda do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva).

Certificação

No entanto, não basta o líquido ter só características refrigeradoras, é necessário que, antes mesmo de ser envasado, o produto ofereça qualidade até no seu processo de fabricação. Para isso, também passa por uma certificação para avaliar se o modo como o produto é fabricado está de acordo com o padrão e requisitos exigidos pela sociedade.

Este processo de certificação tem a importância de assegurar que o aditivo de arrefecimento produzido cumpra as normas da ABNT, explica Carlos Alberto Motta, auditor do IQA. “Pegamos o produto no mercado e depois ele é encaminhado a um laboratório credenciado para os ensaios”.

Motta afirma que na auditoria também são verificados a exatidão dos testes e se eles estão de acordo com o preconizado pela ABNT. “Verificamos a capacitação do pessoal técnico e os resultados por meio do controle e calibração dos equipamentos utilizados.”

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O profissional diz que a referência para o estudo leva em consideração as especificações ABNT NBR 13705, para os aditivos inorgânicos, e ABNT NBR 15297, para os orgânicos. “No final da auditoria, a empresa recebe o certificado com validade de 1 ano. Isso garante que a marca conta com um processo constante de qualidade”, diz.

Ensaios

A produção do aditivo inicia com a soma de materiais químicos que reúnem os benefícios necessários para o sistema. “Temos um tanque de mistura que recebe o material por meio de tubulações, por onde passam os insumos a granel, como o etileno glicol. Na parte de cima do tanque fazemos as dosagens dos anticorrosivos, agentes supressores de espumas, pigmentos, aditivo anti-ingestão”, explica Joel.

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De acordo com ele, depois da mistura, que demora entre 40 e 50 minutos, uma amostra é coletada e enviada para o laboratório de controle de qualidade, onde é feita a verificação da batelada. “Neste meio tempo, o líquido de arrefecimento fica num tanque de quarentena, aguardando o sinal verde do laboratório para finalmente ser envasado”, diz.

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No laboratório, o produto passa por uma bateria de testes, que visa garantir a sua especificação. “O ensaio de corrosão é um dos mais importantes para o líquido. Tem o objetivo de testar a capacidade de o produto proteger os diversos metais presentes no sistema de arrefecimento.”

Nesse ensaio, uma solução a 33%v/v do aditivo é preparada com uma água corrosiva (rica em sais). Corpos de prova metálicos, alumínio, ferro fundido, aço, cobre, latão e solda ficam imersos nessa solução durante duas semanas a 88ºC, e após esse período são avaliados quanto à alteração de massa (perda por corrosão) e quanto ao seu aspecto (devem ser isentos de pontos perfurantes de corrosão, os chamados pittings).

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Joel afirma que a norma brasileira ABNT NBR 13705 e ABNT NBR 15927, para líquidos de arrefecimento do tipo inorgânicos e orgânicos, prevêm limites de perda para cada uma dessas lâminas. Quando esses limites não são atendidos, possivelmente haverá corrosão no sistema de arrefecimento do veículo, causando vazamentos, e então problemas diversos.

Tipos de corrosão

Num outro teste, o químico deixou lâminas de alumínio e ferro fundido num período de quatro semanas dentro de um recipiente com água. O resultado, como esperado, é extremamente negativo, ambas as lâminas apresentam alto índices de corrosão. “A corrosão do alumínio é diferente, na cor branca, enquanto no ferro há uma deterioração escurecida, amarronzada. Muitos têm a falsa crença de que a água não prejudica o alumínio, e isso não é verdade. Dentro do sistema, isso pode levar ao vazamento do radiador, certamente”, avisa.

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A companhia faz ensaios que vão além dos obrigatórios pela norma ABNT, como a ASTM 4340, ensaio de corrosão para alumínio em temperatura elevada. Uma coluna é preparada com uma solução contendo 25% de aditivo também com água corrosiva. No fundo é colocada uma placa redonda de alumínio, que fica em contato constante com o preparado sob uma temperatura de 135ºC.

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“A situação simula a superfície de um bloco de alumínio no motor. Um bom líquido de arrefecimento garante que o material após uma semana de teste tenha no máximo a perda de 1 mg de corrosão. Semanalmente, a gente tira e avalia tanto a superfície quanto a massa da placa de alumínio numa balança para atestar a perda”, explica.

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O profissional nos passa uma informação importante. O aditivo do tipo orgânico, ao contrário do inorgânico, forma um filme passivador no alumínio que confere a ele uma superfície escurecida. Esse escurecimento é típico e não deve ser confundido com corrosão.

Espuma, teor de água e congelamento

Outro problema levantado por Joel é a formação de espuma dentro do sistema de arrefecimento. “Isso pode gerar cavitação, principalmente, na bomba d’água”. Para evitar a formação de espuma no sistema, agentes supressores de espuma são adicionados ao aditivo para arrefecimento. Para avaliação da tendência de formação de espuma,em um teste realizado no laboratório de controle de qualidade da Tirreno, o líquido é submetido a uma temperatura de 88ºC com fluxo de ar sendo lançado dentro da solução durante 5 minutos. “Neste cenário, o ar não pode levar à formação de espuma”.

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De acordo com o químico, a norma brasileira também estipula que o líquido arrefecedor tenha no máximo 5% de água, a fim de se preservar que o cliente não estará comprando somente água no lugar do aditivo.

O ponto de congelamento da solução arrefecedora também é avaliado. “Se o motorista utilizar somente água pura no sistema e rodar em regiões onde a temperatura estiver abaixo de 0ºC, a água pode congelar. Quando isso acontece, a água se expande cerca de 9% ou 10% do seu volume inicial. Isso, dentro do radiador, pode romper as galerias e os dutos.”

Ele afirma que, principalmente, nas localidades mais frias, é preciso usar um aditivo a base de etileno glicol. Segundo ele, o líquido de arrefecimento preparado “um pra um” em água limpa, garante um ponto de congelamento de 37ºC negativos. “Para verificação do ponto de congelamento no laboratório, preparamos um banho de álcool com gelo seco para abaixar a temperatura da solução, e observamos em que momento haverá o congelamento.” A norma brasileira também estipula um limite do ponto de congelamento para a solução arrefecedora.

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Ponto de ebulição (fervura)

Outro benefício do líquido é aumentar o ponto de ebulição da solução dentro do sistema. “Uma solução um para um do aditivo com água limpa, eleva o nível de fervura da solução arrefecedora. Mesmo no sistema de arrefecimento sob pressão entre 130°C e 135°C a solução se mantém no estado líquido, evitando problemas de troca de calor ou cavitação.”

No teste de ponto de ebulição no laboratório de controle de qualidade, uma amostra do aditivo é submetido ao aquecimento. “Devido à presença de um condensador de gases nesse equipamento, o líquido tende sempre a se manter no estado líquido. “O vapor formado se condensa e se transforma novamente em líquido, até o momento em que a temperatura no termômetro se estabiliza, ou seja, o líquido não consegue mais passar para a fase vapor. Este é o ponto de ebulição do líquido de arrefecimento.”

Processo de produção e envase

Durante a produção, a auditoria do IQA avalia desde o recebimento das matérias-primas até o envase e expedição dos aditivos. “Observamos a limpeza do tanque misturador, das linhas que interligam os equipamentos e, depois de feita a mistura, fazemos um estudo da composição para ter certeza que seguem a norma ABNT. Além disto, também verificamos a documentação da empresa”, salienta Motta.

A companhia também possui uma versão do produto pronta para uso, vendida já diluída em água. “De acordo com a ABNT 14261, não se pode usar qualquer água no processo. Por isso temos esse sistema de desmineralização que retira parte dos sais minerais para assegurar as características do produto”, detalha Joel.

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Após a equipe do controle de qualidade laboratorial aprovar a qualidade do líquido, somente então ele passa a ser envasado. Nesta fase, a empresa segue uma norma específica a fim de que o volume do conteúdo seja o mesmo em todos os frascos. A certificação executada pelo IQA na Tirreno tem caráter unicamente voluntário, a fim de a empresa manter uma imagem transparente e ética frente aos usuários de seus produtos no mercado. Isso, sem dúvidas, é um indicador na hora de escolher um aditivo que tenha qualidade e atenda os requisitos do veículo do seu cliente.

Fonte: www.omecanico.com.br

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