Autopeças, a salvação está na competitividade 

Letícia Costa e Paulo Butori levantam fatores que prejudicam o setor

30/04/2014 - 14:40min

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Durante o V Fórum da Indústria Automobilística, no Golden Hall do WTC, em São Paulo, Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria, e Paulo Butori, presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), foram unânimes: o principal entrave para o setor é a falta de competitividade. Para eles, o Inovar-Auto ajuda o segmento, porém apenas partes da cadeia produtiva são beneficiadas pelas normas.

“Há um erro quando se pensa em medidas de curto prazo, com o único intuito de aumentar o consumo. Há falta de incentivos em médio e longo prazos e sem isso e uma visão da indústria como um todo fica difícil evoluir”, destacou Letícia. O faturamento real da indústria de autopeças vem caindo desde 2010, quando correspondeu a R$ 86,3 bilhões.

A previsão é que, em 2014, esse número seja de pouco mais de R$ 71 bilhões. Outro problema é o crescimento da capacidade ociosa, que passou de 17,6% em 2010 para 31,9% em 2013. Por fim, também houve queda nos investimentos do setor de US$ 2,1 bilhões (R$ 4,7 bi) em 2010 para US$ 1,9 bilhão (R$ 4,2 bi) em 2013.

“Existe uma série de fatores que criam barreiras à competitividade. O principal deles é a alta carga tributária, mas questões como custo trabalhista e alto custo das matérias-primas são entraves”, disse. Com isso, as importações acabam gerando um desequilíbrio no setor, cuja balança comercial apresenta saldo cada vez mais negativo, fechando 2013 em mais de US$ 10 bilhões (R$ 22 bilhões). Nesse cenário há pouco investimento em pesquisa e desenvolvimento, já que as empresas consideram que há um risco muito elevado em tomar tal iniciativa.

CONJUNTO DE FATORES

Paulo Butori diz que um conjunto de problemas causa dificuldades no setor. Entre os fatores, citou câmbio, que atrapalha as exportações, excesso de tributos, custo da mão de obra, baixa produtividade, baixo investimento em pesquisas e desenvolvimento e insegurança jurídica e burocrática. Nesse último quesito, a crítica foi em direção ao Inovar-Auto. “Sem dúvida beneficia o setor das autopeças e ajudou a estancar as importações, porém falta clareza no que diz respeito à sua formulação. Isso acaba por atrapalhar especialmente as pequenas e médias empresas”, disse.

Butori também se mostrou preocupado em relação à situação da Argentina. “O Sindipeças estima que a produção de veículos no Brasil terá queda de 5,5%, número que pode ser maior caso não haja nenhum movimento no sentido de incentivar o setor.” Sobre a falta de investimentos no setor, Butori diz que o principal entrave é a lucratividade do segmento. “Sem lucro não há razão para que haja investimentos prévios. Com isso, as empresas apenas investem quando há demanda. Dependendo do caso, uma saída é importar mediante solicitação de um cliente.” Esse comportamento ajuda a explicar o atual déficit da balança comercial do setor.

A rastreabilidade de componentes, que vai alterar a forma como o setor compra peças e estabelecerá novas regras para toda a cadeia de suprimentos, deveria ter entrado em vigor em fevereiro. Não há, contudo, uma data concreta para que as normas passem a valer. “Hoje não dá para dizer que a rastreabilidade de peças é algo complexo e difícil de colocar em funcionamento. Ela já pode ser implantada, basta ser regulamentada”, pondera.

Por fim, Butori diz que outra solução para a baixa do setor seria um programa consistente de renovação de frota. Novamente sem previsão para que isso ocorra, o presidente do Sindipeças acredita que a medida ajudaria bastante os segmentos de veículos comerciais e pesados.

Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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